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No More Reality?

Museu de Arte Contemporânea de Serralves 8 a 19 de Junho 2016

Os quatro filmes que compõem o ciclo No More Reality? sintetizam algumas das principais estratégias de interrogação crítica do pragmatismo, do positivismo científico e do crescimento industrial dos anos 1960–70. Reafirmando a relação entre estética e política, Chantal Akerman, Marco Ferreri, Alain Robbe-Grillet e Michelangelo Antonioni são cineastas que, de maneiras diferentes, mas igualmente engenhosas, baralham todas as pistas: ao mesmo tempo que testam os limites do cinema militante e reinventam a herança do cinema psicadélico, subvertem as fronteiras entre cultura erudita e subcultura. A meio caminho entre o imaginário da grande metrópole e o exotismo do deserto, entre o confinamento doméstico e o apelo à fuga new age, trata-se de lançar olhares diferenciados sobre as grandes questões do seu tempo – como o feminismo, os sistemas repressivos e as lutas sociais, os padrões económicos e as utopias políticas –; mas trata-se, também, assumindo a suspensão da racionalidade como método e horizonte, de contrapor às determinações ideológicas que vêem no fim do capitalismo o fim da realidade novas formas de percepção capazes de colocar radicalmente em crise a própria noção de real. Ao reclamarem uma postura deliberadamente iconoclasta, os filmes que apresentamos em No More Reality? propõem um diálogo com a exposição de Giorgio Griffa, constituindo, hoje, algumas das peças mais icónicas do cinema dos anos 1960-70: retratos de uma época com repercussões sobre a produção cinematográfica contemporânea e instrumentos de reflexão para problematizar o presente.

Comissário: António Preto

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