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Espetáculo “O Fascismo (Aqui) Nunca Existiu!”

Teatro Municipal Sá de Miranda 24 Janeiro | 21h30

SINOPSE

Da pequena história:

Uma família numerosa, avôs, pais, tios, irmãos e a visita regular de familiares que vinham da terra à grande cidade. Uma casa portuguesa, pobre mas honrada, num país que a Igreja Católica velava e a ensinava a ser pobre e agradecido aos que nos governavam por desígnio divino.

A sua benção meu pai, dizia o menino, beijando as costas da mão direita do seu progenitor. Deus te abençoe meu filho, era a resposta acompanhada de um toque de mão, também direita, na sua cabeça.

Eram os anos sessenta.

Sabe minha senhora, falava a mãe, o meu filho mais velho, é muito esperto e inteligente, podia falar dele ao senhor doutor. Sabe, com doze anos fez a comunhão solene e o crisma e passou nos exames de admissão para o ensino técnico e também para o liceu. Precisava tanto de lhe arranjar um emprego.

Foi para o Curso Comercial, o liceu era apenas para os filhos da patroa, no segundo ano lectivo, com 14 anos, passou para o curso noturno, o senhor doutor tinha-lhe arranjado um emprego. Agradece ao senhor, dizia-me sempre a minha mãe. Eu agradecia corado, envergonhado.

Os primeiros tremores e amores, o pecado e o medo moravam sempre ao lado.

Só pecava depois de se confessar e comungar, esforçava-se o menino.

A reza diária do terço em casa e a visita da sagrada família. O senhor Padre Luís que apagava a televisão para que os rapazes não pecassem a ver as raparigas de fato de banho (os biquínis ainda não tinham aparecido) ou os beijos que os filmes mostravam.

Os primeiros teatros na catequese de peças só com meninos. As revistas aos quadradinhos que seu pai lhe comprava. O cavaleiro andante, o mundo de aventuras, o condor popular, ansiosamente lidos e partilhados...

Depois os livros maiores que começaram com Verne e Salgari, as sessões duplas no Carlos Alberto no central-cine ou no cine-foz com idas a pé ao domingo do Palácio à foz do Douro, sempre com medo de não entrar porque o filme nunca era para a sua idade. A descoberta do TEP-Teatro Experimental do Porto...

Da grande história:

As eleições com Delgado, o movimento sindical e as lutas da oposição, a tropa e a ida para a guerra colonial. A pide e tudo... A história do país, do mundo.

 

FICHA ARTÍSTICA
Texto, Dramaturgia, Direção e Encenação | José Leitão
Assistência de Encenação  | Daniela Pêgo
Interpretação | Flávio Hamilton, Inês Marques, Luís Duarte Moreira, Patrícia Garcez e Susana Paiva
Direção Técnica, Desenho de Luz e Vídeo | André Rabaça
Direção de Movimento | Costanza Givone e Daniela Cruz
Figurinos | Luísa Pinto
Espaço Cénico | José Leitão e José Lopes
Música | Pedro "Peixe" Cardoso
Fotografia | Paulo Pimenta
Produção | Sofia Leal e Daniela Pêgo

 

O preço dos bilhetes varia entre os 4 e os 10 euros.

 

Mais informações: 258 823 259 / 967 552 988 / geral@centrodramaticodeviana.com

Reservas: tmsm@cm-viana-castelo.pt

 

Nota:

Imagem da Notícia: créditos fotográficos (Paulo Coelho)